segunda-feira, 8 de abril de 2013

And the chronicles read as follows...


E tudo começou com uma viagem de quase 2000 km até Hausach, bela cidade germânica que produziu tão estime personalidade.
Abandonei o Marco de Canaveses com quase 15ºC e alguma chuva, para entrar em Espanha já com algum sol, como podem verificar nas fotografias. Ah sim, a ideia era tirar fotografias ao longo do caminho, para documentar a viagem, só que a meio de Espanha parámos numas bombas e comecei a conduzir. Como o meu pai se recusou a tirar fotos porque “nunca peguei numa digital” não há registos da restante viagem. 800 km que conduzi e o resto foi França à noite. Muita gente já não lhe acha piada durante o dia, quanto mais de noite…
Anywho, algures a meio de França, Angoulême?, começou a baixar a temperatura, drasticamente, para 2ºC e foi assim até Alemanha. Entramos, 20 horas ao ponto depois de sair do Marco, nas terras frias, como lhe gosto de chamar, e com toda a razão, com uma mistura de neve e chuva a cair.
Os dias em Hausach foram muito bem passados, a dormir e a comer, a refazer novamente as malas e a jogar Heroes III com o Gil. Old habits and stuff.
A viagem até Praga foi muito emocionante, principalmente porque o Patricio provavelmente preferia ter ficado em casa sozinho com a Misses dele (mas ele não se atreveu a dizer que era isso, só nos fez atrasar por umas 2 horas). Muito trânsito, mas boas estradas e, milagrosamente, deixou de chover/nevar e até correu tudo bem. Praga é lindíssima, mesmo com um pai semi-doente, uma mãe a fazer perguntas de 5 em 5 minutos como se eu fosse um enciclopédia sobre checo e os costumes locais, e dois irmãos que são a) do contra e b) irritantes à brava quando querem. Até aconselhava a visita a Praga durante os meses de verão, porque sem pingo no nariz e 20 kg de roupa sempre se deve andar melhor, só que, por outro lado, se com este frio a cidade já está completamente cheia de turistas (e todos eles simpáticos, principalmente os italianos!!! Mais precisamente os italianos gordos e fanhosos de 10 anos de idade que ocupam o único PC do hotel durante mais de 30 min só para ver os golos de não sei quem no youtube e para ver fotos de gajas no facebook, enquanto os pais e amigos de pais estão em discussões acesas em alto volume e se tão a cagar para a educação do pirralho) ao ponto de aqui a je ficar com o seu famoso feitiosinho misantropo e começar a furar pela multidão fora até encontrar ar para respirar.
O castelo é muito engraçado, mas, por outro lado, não merece todo o fuss about it. O de Carcassonne continua a ser mais giro. É, no entanto, de admirar a potência que já reinou nestas regiões. O centro da Europa e do seu destino já residiram aqui. É impressionante… principalmente como esta bosta decaiu… faz-me lembrar outro país… Mas pronto, castelo e catedral, check! Muito bonito. Centro, Wenzel Square e relógio astronómico, check, muito giro. Ir a um bar típico e beber uma cerveja checa e depois pedir “the czech please” sem me rir, check. (parvo, eu sei). Praga recomenda-se! Ahh, e tirei uma foto em frente à casa do Kafka, não é bonito? É! Fazer algo típico de turista, check! A comida checa e as cervejas checas também estão mais do que aprovados!
A viagem para Brno foi ainda melhor, dado que o meu pai aí já estava com febre e me passou a condução para mim, assim poucos minutos antes de as temperaturas baixarem ainda mais e começar a nevar. Então lá vim eu a conduzir um carro completamente cheio e carregado, numa estrada sinceramente merdosa e esburacada, cheia de neve e água (porquê??) com 0ºC até -2ºC. Escusado será dizer que vim borradinha o tempo todo a pensar que ia apanhar gelo e capotar mais um Volvo. Mas não. Cá chegámos, mais ou menos direitinhos, já que eu perdi os meus apontamentos sobre o caminho e depois tive de ligar o GPS no meu telemóvel, a comer-me roaming à força toda, mas hey, eu emigrei, vou ser rica.
E o que senti eu ao ver a minha nova terrinha? Ao ver as chaminés enormes das fábricas e as casas velhas quase em ruinas, que fizeram recordar os bons velhos tempos nos campos de trabalho na sibéria? Oh the good old sovjet union.
Não vale a pena negá-lo, quando cheguei ontem aqui, ao final da tarde já escurinho, tudo branco da neve a cair e o pouco que conseguia ver parecia retirado dos filmes da DDR, pensei, oh merda… yup, só isso. Andei eu a trocar os almoço juntos à praia e as noites nas galerias para isto?? A ida até ao centro para encontrar um sítio onde jantar também não ajudou, porque ou está tudo de férias devido aos feriados, ou então, esta merda é uma cidade fantasma!! Só restavam os bêbados nas esquinas (e oh meu deus que há muitos aqui!)
Hoje lá acordei com o sol a bater-me na tromba e ahh, consegui encontrar o centro. E sim, as fotos e vídeos que tinha visto afinal não mentiram, isto até é giro J e já fiz uma “amizade” com uma eslovaca (não, ela tem namorado!!) na sala de TV/Net. Não me parece que sejam assim tão maus como os alemães. E a miúda, Cristina (não sei se é assim que se escreve) também disse que os morávios eram mais simpáticos que os checos mesmo. A ver…
Quanto à residência universitária… yah… é isso, uma residência universitária, que tem pessoas na recepção que mal falam inglês. Foi giro. Não tenho máquina de lavar roupa e cozinha também não. Tem ali “um cenas” com um disco para aquecer cenas e tal, só que não tem panelas nem nada. Mas tem quatro pratos. Yup… Olha eu a comer sandochas e sopas de pacote durante uma semana. Dieta à força, é assim… não que me faça mal, mas espero encontrar um quarto decente em breve!
E amanhã é o meu primeiro dia de trabalho… :)